Crises e vales

Senti como se fosse uma punhalada no meu estomago – para falar a verdade não foi bem isso que senti. O que me tomou por inteiro foi um peso, um aperto no peito, mas achei que estamos tão acostumados a andar com esse aperto em nossos peitos que não seria nada atrativo um texto com um tema tão comum. Mas é nesse cotidiano que vivemos e o que considerei novo aqui não é bem a dor no peito mas como foi fantástico lidar com ela de um modo totalmente novo.
Pela primeira vez não tentei sorrir ou fingir que ela não existia, pela primeira vez minha apatia estava tão forte ao ponto de dizer “foda-se, quer explodir dentro de mim, que exploda, eu não ligo”. Quando disse isso a dor se tornou imensa, quase insuportável e por um tempo eu quis deligar o foda-se, mas por força extrema misturada a um orgulho monumental eu me convenci de que agora que me lancei no abismo eu vou cair até o fim, fosse qual for o fim, eu ia até ele.
O vento na janela do carro, as lagrimas explodindo em meus olhos, eu continuei, é estranho como sempre achamos que não suportamos mais quando estamos na metade do caminho. Não, não era mais possível continuar, mas o meu orgulho não me permitiu parar, e mais lagrimas corriam – não sabia mais porque eu estava chorando, só sei que chorava.
E foi um bom tempo do que agora chamo de lenga-lenga, mas que na hora não parecia nenhuma frecura, era pura dor.
Cheguei ao fundo, isso é o que importa, cheguei ao que achava que nem existia dentro de mim, cansado de chorar uma explosão de cores me percorreu, uma vontade de viver enorme estava me penetrando e preenchendo lacunas dentro de mim, mesmo que eu não tivesse ao certo porque elas existiam ou mesmo se existiam… o que sei é que a vida veio como um desejo de respirar fundo, de saborear cada sentimento, cada encontro, cada momento solitário. Eu queria estar alí naquele momento, eu estava ali naquele momento, totalmente presente e mais que tudo, inteiro.
Quando nos lançamos a morte, quando deitamos em seus braço como se fossem braços de uma amante, já não há motivos para morrer. Aquilo que queria, precisava morrer já está morto.

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