Transbordar

A água simplesmente transborda: a água leva terra e vida para novos lugares, escorre entre os veios da terra e me derrama pelo mundo.
Um rio nunca corre. ele transborda por caminhos conhecidos, pelos meus caminhos conhecidos e não importa muito se tentamos conter ou não, construir represas ou não: ele sempre vai passar a borda, ele sempre passou a margem e eu não via. Agora que a terra já não está mais seca, que não é possível absorver nenhuma gota d’água, o rio segue transbordado por novas terras, e já não existe o caminho conhecido  (não como eram conhecidos) 
 são novos-velhos caminhos se fazendo e estes, os antigos, sumiram com a represa. Agora é rio novo, água nova fluindo pela minha carne e cavando novos sulcos com dor e alegria, levando a terra, levantando o passado.
Quantos fósseis existiam onde impedi a água de fluir, e nem ao menos me dei conta? 

Será que um dia a força das águas dissolverá todo o passado assim como me dissolve, rio, rio pleno, rio transbordante? 

E a resposta à essa pergunta… deixo ao tempo.

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