Uma história sobre IKE

Essa história exemplifica de modo claro esse princípio havaiano. Há uns 5 anos atrás conheci Vera, nós pegávamos ônibus no mesmo horário, então começamos a conversar, sempre que a via no ônibus sentava perto dela para saber mais sobre a história de vida dela e contar um pouco sobre a minha. Era evidente como tínhamos personalidades muito diferentes e idades também, eu com 16 anos de classe média que nunca havia trabalhado e ela com seus 30 e poucos anos sendo que desde pequena trabalhava como empregada domestica para ajudar em casa, isso era extremamente cansativo para ela. Depois de 6 meses de conversa ela me contou que mudou de emprego, fiquei muito feliz por ela, além da antiga patroa dela parecer ser muito chata ela ganharia mais trabalhando em um escritório de advocacia como secretária ou algo assim (não lembro ao certo o nome do cargo).

O que mais me surpreendeu quando ela me contou sua mudança de emprego foi o pesar, me era estranho alguém não ficar radiante por estar trabalhando em um emprego em que o trabalho não era pesado e além de tudo iria ganhar mais. Depois que eu a parabenizei foi que entendi o motivo de tal pesar, ela me contou que o emprego tinha sido indicada pela irmã do seu namorado – até aí tudo bem; o que ela ficava pensando a todo momento era que a cunhada tinha indicado ela porque sentia vergonha de Vera ser empregada e isso tirava toda a alegria que supostamente ela deveria ter por ter conseguido um novo trabalho.

Nessa minha vivencia podemos perceber que Vera estava tendo um pesadelo, apesar de uma coisa muito boa ter acontecido em sua vida. Sua cunhada também estava sonhando, ela tinha pra ela possibilitar um melhor emprego para a cunhada deixaria ela em uma melhor condição financeira e por conseqüência mais feliz, são dois sonhos diferentes para a mesma situação, duas maneiras de vivenciar um fato.

Não sei como está Vera hoje em dia, espero que ela tenha parado de se sentir inferior e de encontrar dificuldade em tudo, espero que pare de se queixar pela metade vazia do copo. É bom que ela veja a parte vazia, pois se não ela seria extremamente inocente e provavelmente não lutaria por nada em sua vida, mas ao olhar somente para a metade vazia ela também fica engessada e não se move, pois se para Vera até uma mudança de emprego indicada por uma cunhada é sinal de que ela não é valorizada pela futura família o que poderá ser bom o suficiente para alegrá-la?

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