Leões e outros afetos

Confesso que me tornei um leão, minhas garras afiadas, meu olhar terno que muitas vezes impedem que o golpe volte, mesmo eu tendo arranhado a face de alguém sem qualquer motivo aparente; tornar-me um leão, ou me perceber como um leão foi algo que trouxe muita alegria e poder pra minha vida, é como se eu pudesse ser – sem rótulos, sem nomes, simplesmente ser. Mas o que tem mais me encantado – não é o rugido que desperta risos e lagrimas, nem a juba proeminente, muito menos o peito amplo que dá colo – o que faz meus olhos brilharem é o filhote que existe em mim, o leãozinho que caminha sobre o sol, que possui a terna capacidade de sorrir com um frase boba, de se divertir horas com uma foto antiga e de passar a semana com um sorriso no canto dos lábios por um beijo roubado. É esse pequeno leão que mora em mim que me encanta. Esse pequeno ser que consegue brincar com o “imbrincável” e se divertir com as tempestades que assombram o leão adulto – que mesmo forte, morre de medo de perder a juba.

Esse pequeno ser que às vezes me possui não perde nada e ganha o mundo. Rola na grama com uma preguiça quase existencial e ri, ri desse adulto aqui tentando entender a vida.

8 comentários a “Leões e outros afetos”

  1. ah, Dani… que texto sensacional! Também assim te vejo e um dos motivos de alegrar tanto o ambiente onde chega é justamente esse sorriso no canto dos lábios.

    E esse é instituído meu preferido dos seus.
    =)

  2. O único leão que tenho em mim é o leão protetor. O leão escudeiro. O leão guarda costas.
    E esse é forte. Impiedoso. E o que é pior: me protege de tudo e de todos.

    1. Seu comentário mexeu muito comigo S. Creio que o seu Leão esbarrou com alguns leões de chácara que existem dentro de mim, estes assumiram como função lutar ferozmente para manter minhas crenças, minha forma de ver o mundo intactas, mesmo que essas crenças me façam sofrer. No fim das contas é sempre uma aventura constante reconhecer esses leões, domesticá-los e trocar as antigas crenças por novas, que possibilitem que eu tenha uma vida mais alegre, mais feliz.

      S. me ficou uma dúvida em relação ao seu comentário, ele é uma constatação ou um pedido de ajuda?

      Que a luz do amor te acompanhe
      Daniel

      1. Acredito que esteja mais para desabafo Daniel. O fato é que não sei se quero domesticar esse leão que carrego em mim. Não sei se quero e se devo deixar ao léu o que sofridamente consegui construir até aqui, concretando tantos abstratos. É tudo tão frágil. Tudo facilmente contaminável. Acho que sem esse leão escudeiro eu não teria a segurança de garimpar novas vivências, novos significados. O leão tem de ser como deve ser, seguindo sua natureza, indomesticável. O que me é necessário é o cordeiro do outro lado da gangorra.

  3. Como eu disse, não. Não está em canto algum nesse momento. Acho que está perdido por aí. Tinha sérias dificuldades em lidar com o Leão. E eu sempre o forçando a interagir, fazer a política de boa vizinhança. Pois deu no que deu. Quem pode culpa-lo afinal.

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