Dionísio

Dionísio voltou ao meu colo. Pedia insistentemente por alimento. Eu, sem dúvida alguma, dei-lhe de mamar. Como me era doido as mordidas. Ele não mamava mais – Dionísio me devorava. Sugava meu sangue por cada poro, dilacerava minha carne. Agora vivo como uma bacante correndo nos campos com vinho e volúpias, quanto mais rápido me desloco, quanto mais percorro os desejos do corpo e o corpo dos desejos mais compreendo que Dionísio sou eu.

Carne, corte, sangue… Ah Dionísio! – ou melhor – Oh Grande Dionísio que mora em mim! Por que destrói tudo por onde passa, faz do sólido líquido e da intempérie meu porto seguro? Não compreendo como torna a segurança movimento e do movimento voracidade?

Dionísio, eu te aceito, com toda sua inconstância, com toda a minha busca de tranqüilidade. Agora percebo que a vida se faz, se cria e recria, mesmo com todas as intempéries.

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