Encontros e furacões

As palavras crescem, multiplicam, proliferam e turbilhonam, não mais em nossas cabeças, mas em nossas vísceras, revirando-as. Já não é mais possível pensar em nada, mesmo com palavras jorrando de todos os lados, só resta parar e sentir. Busco evitar a vertigem, olho para os lados ou para minha mão que insiste em se mexer de modo aleatório e tenso. Mas são os olhos levemente úmidos pelas lágrimas que insistem em não serem choradas que me levam para o centro do furacão onde não há vento algum, somente algumas leves fisgadas no meu calcanhar.

2 comentários a “Encontros e furacões”

  1. e no centro do furacão, as letras se fundem, e se dissolvem. palavrão ou não, algumas delas servirão de chave, outras de joio. de qualquer forma, sem adentrá-lo, naquela tentativa boba de controle, crianças que desmontam seus carrinhos de controle remoto e ficam embasbacadas com a engrenagem, a gente não descobre nunca a ridicularidade de um turbilhão, simplicidade sempre disfarçada.
    (ou ainda:

    “A minha cabeça gira. Não, a minha cabeça não gira, a minha cabeça cresce e se derrama pela rua. E eu fico vendo as pessoas caminharem por entre os meus cabelos. No começo, elas têm alguma dificuldade, mas sorriem e vão afastando pacientemente os fios. Mas os fios aumentam e se tornam cada vez mais espessos, instransponíveis. E então as pessoas se enfurecem e apanham foices, tesouras, facas e agulhas e vão cortando e furando os meus cabelos que não páram de crescer sobre a cidade de pessoas enfurecidas.”
    C.F.A)

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