De Ariana para Dionísio

Ofereço esse post aos amigos e companheiros de estrada que me ensinaram a caminhar com as bacantes e sendo embalado pelo colo e pela flauta doce de Dionísio.

Ode descontínua e remota para flauta e oboé. De Ariana para Dionísio.

Hilda Hilst

“II

Porque tu sabes que é de poesia
Minha vida secreta. Tu sabes, Dionísio,
Que a teu lado te amando,
Antes de ser mulher sou inteira poeta.
E que o teu corpo existe porque o meu
Sempre existiu cantando. Meu corpo, Dionísio,
É que move o grande corpo teu

Ainda que tu me vejas extrema e suplicante
Quando amanhece e me dizes adeus.”

“V

Quando Beatriz e Caiana te perguntarem, Dionísio,
se me amas, podes dizer que não. Pouco me importa
ser nada à tua volta, sombra, coisa esgarçada
no entendimento de tua mãe e irmã. A mim me importa,
Dionísio, o que dizes deitado ao meu ouvido
e o que tu dizes nem pode ser cantado
porque é palavra de luta e despudor.
E no meu verso se faria injúriaE no meu quarto se faz verbo de amor.” 



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